Na fase de preparação para minha viagem, uma grande pergunta era: onde eu vou morar? Afinal essa viagem não é de uma semana ou de um mês. E eu não tenho dinheiro suficiente para ficar em um hotel, nem mesmo no começo. Como eu disse em outros post, foram noites e noites dedicadas ao Google e ao Youtube. A pesquisa parecia estúpida: como viajar de graça pelo mundo? Mas acreditem, a internet tem milhares de respostas para isso. Basta você escolher a melhor opção para o seu gosto e bolso.
O perfil da sua viagem vai influenciar muito no meio de hospedagem escolhido. Hoje em dia existem milhares de pessoas morando em carros, vans, motos e até mesmo bikes. Pelas minhas pesquisas na internet, acredito que um motorhome (carro/van ou ônibus transformado em casa) seja uma boa opção para casais ou duplas. Motos ou bikes podem ser uma opção mais rústica, normalmente para indivíduos e, fazendo essa escolha, considere sempre acolhimento em casa de desconhecidos e muito, mas muito camping – se você é esse tipo de pessoa, vai com fé…. essa com certeza é a melhor opção!
Aqui vão algumas dicas de viajantes que eu sigo na web e indico: Travel and Share (acho que eu já mencionei eles anteriormente) – um casal incrível, viajantes de longa data com uma superstrutura que sabem tudo ou quase tudo da vida na estrada. Eles têm insta, canal do Youtube e um livro – vale a pena acompanhar a jornada deles. Com um tempo menor na estrada, mas uma história incrível e uma Kombi super estilosa, preciso mencionar um casal de amigos, uma ex-colega de trabalho que escolheu a vida nômade. Ela e o marido transformaram a kombi numa casinha incrível e estão a meses viajando pela América do Sul, cada dia com uma história nova e fotos de tirar o fôlego. Infelizmente eles não investiram ainda num canal exclusivo para Filó (Kombi), mas acho legal mencionar pessoas reais como exemplo sabe. Muitas vezes vemos influenciadores digitais que parecem estar tão longe da realidade e nos fazem duvidar se é possível. Sim é possível! Além disso, o próprio Netflix já tem documentários e filmes sobre viajantes sob rodas que valem a pena ser vistos.
No meu caso, eu não tinha ninguém comigo, eu odeio dirigir e por isso eu precisava pensar numa alternativa. Até que achei a melhor resposta, a alternativa que mudou minha vida: Worldpackers – trabalho voluntário em troca de hospedagem/moradia.
O programa funciona da seguinte forma: alguns lugares do mundo precisam de ajuda com trabalhos simples, como limpeza, arrumação de cama, baba, pequenas manutenções ou assistência na cozinha, mas não tem como pagar a mão de obra. Então eles oferecem moradia para voluntários que aceitem fazer o trabalho sem pagamento em dinheiro. É um acordo entre cavalheiros, não existe um contrato, são poucas regras e o melhor de tudo: não exige visto de trabalho. Para maior segurança do viajante, hoje em dia, já existem sites especializados nisso que possibilitam que o lugar que precisa de ajuda e o voluntário façam o acordo antes mesmo do viajante chegar no destino. Para facilitar, os sites são basicamente divididos por tipo de trabalho.
Em total eu morei por 9 meses totalmente de graça em 3 diferentes países da Europa com esse programa. Nossa Ana, mas você passou 9 meses viajando sem trabalhar??? Tá rica??? Essa e a pergunta mais comum? Vamos lá… O voluntariado é um trabalho como qualquer outro. Eu não via o dinheiro, mas o trabalho pagava o lugar onde eu morava e minhas contas básicas – hospedagem, água, luz, internet e a maioria deles lavanderia e café da manhã. Claro que você precisa de economias para gastos extras como higiene, vícios, alimentação e diversão. Você também pode procurar por alternativas para ganhar um dinheiro extra. Na minha jornada conheci pessoas incríveis que encontraram diversas formas de conseguir dinheiro paralelamente ao voluntariado. Uma grande amiga, brasileira, de Brasília, que eu conheci no meu primeiro hostel, fez 1 ano de voluntariado com o namorado e nas horas vagas ganhava gorjeta entregando pizza, conheci diversos artistas que ganhavam um trocado tocando na rua nas horas vagas…. vamos lá brasileiros, nós somos o povo da criatividade, não desistimos nunca, a gente se vira! Eu, por outro lado, usei os voluntariados para minha jornada inicial em casa país que vivi, aproveitei da hospedagem até achar um emprego que me pagasse melhor e me proporcionasse a chance de pagar por um lugar para morar e pagar minhas contas. Mais uma vez, a escolha é sua e a decisão deve ser tomada de acordo com as suas preferências, o perfil da sua viagem e seus planos.
Outras pessoas não se enquadram no perfil da economia compartilhada, não se vêem dividindo quarto com desconhecidos em hostel ou realmente não querem fazer nenhum dos trabalhos oferecidos nesses sites. Sem problemas, você precisa se organizar um pouco mais e, daí mesmo, do Brasil, você pode alugar uma casa em qualquer lugar do mundo. Eu aconselho garantir os primeiro 3 meses de aluguel até que arrume um emprego no destino escolhido. Nada de errado com isso, se programe porque é possível. Hoje em dia a internet faz milagres e nos leva a qualquer lugar que quisermos. Eu poderia indicar websites para procura de imóveis, mas isso e muito particular de cada lugar, por isso vou deixar esse tópico aberto. Se alguém quiser morar em algum dos lugares que eu já morei, me procurem e eu posso tentar ajudar. Além disso tem brasileiro espalhado pelo mundo todo. Conheço amigos que quando tomaram a decisão de partir, conseguiram um cantinho na casa de conhecidos no exterior para os primeiros meses e se deram super bem!
No meu próximo post vou explicar com detalhes como funciona esse programa de voluntariado que eu fiz e outros que eu conheci através de amigos pela minha jornada. Mas espero que eu esse post tenha te inspirado para que você comece a planejar sua jornada sem o medo dos altos custos de moradia pelo mundo!!!